Meu relógio de pulso marca 23h:42m. Faltam apenas 18 minutos, e eu não sei se é melhor tentar fugir ou apenas me manter escondida. Se eu conseguir ficar até 00h:30m sem ninguém sentir minha ausência, provavelmente estarei fora de perigo, pois nessa hora as pessoas costumam se dispersar.
O problema é justamente não sentirem a minha falta. Agentes de Captura, especializados em me encontrar, estão por toda a parte. E eles não têm escrúpulos quando se trata de abrir a porta do quarto de alguém e entrar sem ser convidados. São os famosos Primos Pequenos. Se for capturada por um desses, serei submetida ao olhar fulminante dos chefes do clã e depois largada na sala aos cuidados das Agentes Internacionais de Tortura - Torture International Agents, em inglês toscamente manipulado - que iniciarão o interrogatório de todos os anos. Sim, aquele mesmo, que começa com "E os namorados?".
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| Tweet bastante oportuno que chegou a mim através da @tatitaleite. |
As perguntas continuarão até que algum agente de captura apareça disfarçado de anjinho e pedindo pra mexer no meu computador. Serei obrigada a deixar, pelo menos por um tempo. Quando eu conseguir tirar o pequeno de lá e me sentar apenas por um instante para deletar todos os gifs que terão chegado em meu e-mail, aparecerá um novo tipo de agente, a Perguntation Irritant Modern Agent. Assim como as TIAs, ela irá fazer uma série de perguntas, mas o objetivo aqui é saber tudo o que você faz no computador e ver todas as fotos (que você já colocou no Facebook, e ele não viu porque estava mais preocupada em postar setinhas). E pra acabar definitivamente com a noite, em algum momento chegará o agente metido a engraçadinho - conhecido popularmente como TIO, por normalmente ser casado com uma TIA - perguntando pelo pavê.
DEU PRA ENTENDER PORQUE EU NÃO QUERO SER DESCOBERTA? Será o fim da minha tranquilidade.
Por isso estou no banheiro do quarto com as luzes apagadas e totalmente em silêncio. Simplesmente não suport...
Ah, meu Deus! Eu não acredito. Como fui burra! Me matem, por favor, me matem!!! Esqueci o celular em cima da cama. São 23h:56m, o pior horário pra sair de meu esconderijo. Mas preciso resgatar o aparelho ou o barulho irá estimular a entrada no quarto.
Em poucos segundos, arquiteto um plano. Sairei no escuro, rastejando por trás da cama. Se alguém entrar, poderei pelo menos rolar para baixo dela. Abro a porta lentamente e lá está ele. Alissa Barlow grita a plenos pulmões o meu toque de mensagem. But I need you to love me and I, I won't to keep my heart from you this time. Menos mau, porque também odeio falar ao telefone. Corro abaixada até a cama, pego-o, desligo e, sem nem respirar, entro debaixo da cama bem a tempo de alguém abrir a porta para espiar. Ufa! Era apenas minha irmã, que fechou-a em seguida.
Espero alguns minutos e ligo novamente o celular, com o cuidado de colocá-lo no modo morto silencioso total. Leio a mensagem e dou um grito, antes de perceber que isso poderia significar o meu fim. Mas agora não importa mais. Alguém foi esperto o suficiente para enviar por SMS as palavras que eu mais temia: FELIZ NATAL!
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PS: Post sem noção, eu sei. Aprendi com a Luciana Mara. É o máximo que eu posso fazer para explicar minha fobia de datas comemorativas de uma forma bem-humorada, já que este ano não quero postar a mesma música de sempre.
PPS: Espero que ninguém da minha família leia isso, hahaha. E, se lerem, espero que percebam que, apesar de algumas coisas serem verdadeiras, eu tive que exagerar e inventar um pouco pra ter graça.
PPP: Será que teve graça?
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