Livros, amores e reencontros

sexta-feira, 17 de maio de 2013


Eu gosto de releituras. Não as faço com muita frequência, porque há muitos livros a serem lidos, mas, de vez em quando, a vontade de reencontrar velhos amigos é grande demais para que eu me esforce em fazer novos. Persuasão estava na frente da fila havia bastante tempo, desde que foi lançada a linda edição em capa dura da Zahar. Deixei-o separado e peguei-o várias vezes, mas havia uma certa apreensão que me impedia de continuar.

Sabe aquela sua melhor amiga do Ensino Médio, por quem você passa de vez em quando e até diz que vai marcar um almoço qualquer dia desses, mas acaba não marcando nada? Já se passou muito tempo sem que vocês conversassem; você mudou, ela deve ter mudado e são poucas as chances de que o encontro seja tão bom quanto suas lembranças. É assim a minha relação com algumas pessoas e com alguns livros. Embora existam aqueles cuja relação conosco nunca mudará, independente do tempo que passemos sem nos ver, também existem os que é melhor manter guardados em uma caixinha da memória. O problema é só saber onde cada um se encaixa.

Título: Persuasão (Zahar, 2012. 360 páginas)
Tìtulo original: Persuasion
Autora: Jane Austen
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Último romance de Jane Austen, publicado poucos meses após sua morte, em 1817, Persuasão jamais foi superado por tendências de época, renovações estéticas ou modismos literários de qualquer tipo, mantendo-se um inabalável sucesso de público e crítica. Essa obra-prima ganha agora uma edição definitiva, com capa dura, mais de cem notas explicativas e uma cronologia da vida e obra da escritora.
[...]
O romance se passa na Inglaterra rural, no início do século XIX. Anne Elliot, filha de Sir Walter Elliot, um vaidoso e esnobe baronete, apaixona-se por Frederick Wentworth, um jovem inteligente e ambicioso, mas sem tradições ou conexões familiares importantes. Por esse motivo, é persuadida pela família a romper com ele. Oito anos depois, Anne pensa com mais autonomia e maturidade e o destino fará com que seu caminho e o de seu grande amor se cruzem novamente.
Felizmente, mesmo tendo se passado três anos desde o nosso primeiro encontro, Persuasão continua me encantando - talvez até mais do que antes. Anne Elliot não é uma personagem que faz as coisas acontecerem, mas tem uma intensidade de sentimentos que me fez torcer mais por ela a cada página. E o que dizer do capitão Wentworth, tendo sua ferida reaberta oito anos depois de Anne lhe partir o coração? É lindo ver como os atuais sentimentos dele por ela vão se revelando aos poucos e como ambos tentam lidar com isso sem deixar que ninguém mais perceba.

Por uma divertida ironia, o livro que eu ansiava reencontrar trata justamente do reencontro com um antigo amor. Esse é um tipo de história que mexe comigo mais do que eu gostaria de admitir. E, ao pensar nisso, percebi que havia lido dois outros livros com temática parecida nos últimos dois meses.

* Dois posts seguidos sobre Jane Austen e é possível que o próximo também tenha a ver com ela. Não foi de propósito, mas uma coincidência que muito me agradou.
** Ainda não terminei de ler o livro; Faltam 50 páginas de Persuasão e as duas novelas que o acompanham, Lady Susan e Jack & Alice. Pretendo depois fazer uma resenha separada para as novelas. Provavelmente, depois que eu ler Sanditon e Os Watsons.

Título: O melhor de mim (Arqueiro, 2012. 272 páginas)
Título original: The best of me
Autor: Nicholas Sparks
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Mais: Histórico de leitura
Na primavera de 1984, os estudantes Amanda Collier e Dawson Cole se apaixonaram perdidamente. Embora vivessem em mundos muito diferentes, o amor que sentiam um pelo outro parecia forte o bastante para desafiar todas as convenções de Oriental, a pequena cidade em que moravam.

Nascido em uma família de criminosos, o solitário Dawson acreditava que seu sentimento por Amanda lhe daria a força necessária para fugir do destino sombrio que parecia traçado para ele. Ela, uma garota bonita e de família tradicional, que sonhava entrar para uma universidade de renome, via no namorado um porto seguro para toda a sua paixão e seu espírito livre. Infelizmente, quando o verão do último ano de escola chegou ao fim, a realidade os separou de maneira cruel e implacável.

Vinte e cinco anos depois, eles estão de volta a Oriental para o velório de Tuck Hostetler, o homem que um dia abrigou Dawson, acobertou o namoro do casal e acabou se tornando o melhor amigo dos dois. Seguindo as instruções de cartas deixadas por Tuck, o casal redescobrirá sentimentos sufocados há décadas. Após tanto tempo afastados, Amanda e Dawson irão perceber que não tiveram a vida que esperavam e que nunca conseguiram esquecer o primeiro amor. Um único fim de semana juntos e talvez seus destinos mudem para sempre.

Num romance envolvente, Nicholas Sparks mostra toda a sua habilidade de contador de histórias e reafirma que o amor é a força mais poderosa do Universo - e que, quando duas pessoas se amam, nem a distância nem o tempo podem separá-las.
O Melhor de Mim foi uma boa tentativa de redenção de Nicholas Sparks com uma leitora que estava quase desistindo de ler todos os livros dele que já tem em casa. Os últimos, embora não fossem ruins, não corresponderam às expectativas geradas pela fama do autor e pela leitura de livros como A Última Música e Um Amor para Recordar, que me deixaram desidratada de tanto chorar. O Melhor de Mim não é excelente, mas, pelo menos, me deu exatamente o que eu esperava: personagens interessantes, uma pitada de sobrenatural e uma boa dose de drama.

O relacionamento de Amanda e Dawson e a conclusão da história me lembraram um pouco de Querido John. Talvez seja ingenuidade da minha parte acreditar que duas pessoas possam se entender tão bem depois de 25 anos separadas, mas fiquei feliz por ver que os dois ainda se importavam um com o outro e que não havia mágoa. Também achei interessante o conflito, muito presente nos romances do autor, entre fazer o que se quer e fazer o que é certo. As decisões dos personagens nesse sentido tiveram impacto sobre a vida de muitas pessoas e sobre o final do livro.

Apesar de tudo, creio que a minha relação com Sparks nunca mais será a mesma. O Melhor de Mim, ainda que tenha sido uma boa leitura, não me empolgou tanto quanto era de se esperar. Como o problema não é com o livro, só posso concluir que seja comigo. Hoje, sou uma leitora diferente do que era há alguns anos e, embora livros como o de Jane Austen continuem tendo o mesmo impacto sobre mim, Nicholas Sparks é como aqueles amigos que vão ficando pelo caminho. Pretendo ler apenas Diário de uma Paixão (que muita gente diz ser o melhor) e À Primeira Vista (porque tem os personagens mais legais de todos). Ainda não sei se lerei Um Porto Seguro e O Casamento - que já tenho, mas agora já não me despertam tanto interesse.

Título: Meu amor, meu bem, meu querido (Novo Conceito, 2013. 240 páginas)
Título original: Honey, baby, sweetheart
Autora: Deb Caletti
Comprar: Cultura | Travessa | Saraiva | FNAC | Outros
Mais: Histórico de leitura
Livro cedido para resenha pela Editora Novo Conceito.
É verão no nordeste da cidade de Nine Mile Falls, e Ruby McQueen, de 16 anos, comumente conhecida como A Garota Calada, está saindo com o maravilhoso, rico e louco por emoções Travis Becker. No entanto, Ruby está num beco sem saída e percebe que se arrisca cada vez mais quando está com Travis. Em um esforço para manter Ruby ocupada, sua mãe, Ann, a arrasta para o clube de leitura semanal que ela comanda. Quando descobrem que uma das criadoras do clube é a protagonista de uma trágica história de amor que estão lendo, Ann e Ruby planejam um encontro dos amantes de longa data. Contudo, para Ruby essa missão acaba sendo muito mais do que apenas uma viagem.
Ao contrário dos dois primeiros, de Meu Amor, Meu Bem, Meu Querido eu não sabia exatamente o que esperar. Lançado recentemente pela Novo Conceito, só pedi porque gostei de Um Lugar para Ficar, da mesma autora, e porque achei a capa fofa.

Embora histórias adolescentes não me despertem mais tanta vontade de ler, com esses dois livros, Deb Caletti conseguiu chamar minha atenção. Sua narração suave contrasta com a complexidade de suas protagonistas e tornam seus livros bastante atrativos e fáceis e ler.

Assim como Clara, Ruby é atraída pela possibilidade de ser alguém diferente e se envolve com um rapaz potencialmente perigoso. Essa parte da história me lembrou um pouco de Tre metri sopra il cielo, cujo livro eu não quis ler por não ter gostado o filme. Mas, aqui, a autora é responsável o suficiente para não endeusar nenhum bandido e não florear suas más atitudes.

O relacionamento de Ruby e Travis é apenas a primeira parte da história. A segunda, mais interessante, trata da velhinha Lilian e seu amor da juventude; uma história dentro da história que lembrou um dos meus livros favoritos. Confesso que não sou uma dessas pessoas legais que têm paciência de ficar conversando com idosos, mas a amizade e a vitalidade daquele grupo me arrancou alguns sorrisos e lágrimas. Lógico que uma coisa dessas nunca ocorreria na vida real. Imagina! Sequestrar uma senhora inválida do asilo! Mas a improbabilidade da situação não conseguiu tirar a graça da história e, embora não seja um "5 estrelinhas", o livro com título mais brega que eu já vi conseguiu me divertir, me emocionar e se tornar uma leitura bastante agradável

* Em algum momento entre este post e o próximo mês, farei um sorteio do livro. Queria fazer junto com a resenha, mas não foi possível.
Anne e Frederick, Amanda e Dawson, Lilian e Charles. Três relacionamentos interrompidos, três histórias distintas, três finais completamente diferentes. Talvez, pela minha relação extremamente pessoal com o tema, eu não seja muito confiável para falar do assunto. Mas, no final das contas, a relação de cada livro com cada leitor é pessoal, e esses três, cada um à sua maneira, mexeram comigo. Será que um amor pode mesmo sobreviver por tanto tempo em circunstâncias totalmente desfavoráveis?
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Noiva e preconceito (Filme)

terça-feira, 14 de maio de 2013


Título: Noiva e preconceito
Título original: Bride and prejudice
Direção: Gurinder Chadha
Ano: 2004
Duração: 115 minutos
Gênero: Comédia, romance, musical
Mais: Trailer 1 | Trailer 2

Na cidade de Amritsar, na Índia, a sra. Bakshi (Nadira Babbar) luta para encontrar bons partidos para suas quatro lindas filhas. Porém tudo vai por água abaixo quando Lalita (Aishwarya Rai), a segunda mais velha, decide escolher seu noivo. Do encontro com o magnata americano William Darcy (Martin Henderson) surge uma relação de amor e ódio. Lalita fica furiosa com o preconceito e a falta de respeito que William demonstra em relação à Índia, enquanto ele fica exasperado com as reclamações da moça, que o considera um americano mimado. Em meio a tantos atritos, nasce uma atração irresistível.
Há alguns dias, comecei a reler Persuasão e, ao entrar no mundo de Jane Austen, me deu vontade de assistir a algumas adaptações de seus livros que eu ainda não vira. Entre dezembro e janeiro, eu já havia assistido às quatro adaptações feitas da BBC (Orgulho & Preconceito, Emma, Persuasão e Razão & Sensibilidade), contidas no box lindo que eu ganhei de amigo oculto da Annie. Junto com esses, assisti Lost in Austen, do qual nem gostei tanto assim. No final de semana passado, foi a vez de As Patricinhas de Beverly Hills, Emma e da versão indiana do romance mais famoso da autora, Noiva e Preconceito.
The most awkward dance EVER.

Aqui, Elizabeth Bennet é Lalita Bakshi, uma indiana linda de morrer que tem orgulho do seu país, e Darcy é um empresário de hotelaria que chega à Índia cheio de preconceitos com relação ao seu povo. Os dois se conhecem em um casamento, e a aversão nasce quase ao mesmo tempo em que a atração. Temos também a presença das irmãs da protagonista - Jaya, que logo se atrai por Balraj, amigo indiano de Darcy, Maya, com sua belíssima dança da cobra, e Lakhi, a periguete - o pai sensato, a mãe louca, um parente distante à procura de esposa, a amiga que se casa por dinheiro, a irmã dissimulada de Balraj, a irmã fofa de Darcy (interpretada por Alexis Bledel) e o desafeto da família deles, Johnny Wickam.
The most disgusting Mr Collins EVER
Quase todas as cenas do filme encontram suas correspondentes no romance original. Porém, como o foco aqui é a comédia, as partes originalmente dramáticas não recebem muita atenção. Senti falta, por exemplo, de um aprofundamento da questão de Lakhi e Wickam ou até mesmo do sofrimento de Jaya. Mas tudo é compensado por números musicais cheios de cor e, principalmente, por cenas hilárias.

O maior responsável pelas minhas risadas foi Kholi Saab. Filho da irmã do marido da irmã de Mr Bakshi, ele volta à Índia para procurar uma esposa, após enriquecer em Los Angeles. Já assisti cinco vezes à cena da chegada dele e à seguinte, o clipe No life without wife, onde as quatro irmãs zoam uma das falas dele durante o jantar.
"No life without wife. Yeah, yeah, yeah, yeah, yeah, yeah"
A segunda metade do filme é menos engraçada e mais romântica. A interação entre Lalita e Darcy é bem maior do que no livro e nas adaptações de época, e algumas cenas dos dois são dignas dos suspiros mais bregas que conseguirmos exprimir.

Resumindo, eu realmente amei o filme. Ao começar a escrever o post, no domingo à noite, eu praticamente assisti a tudo novamente para tirar screenshots.  No final, tive que escolher entre mais de 80 imagens as que ilustrariam o post. Tenho certeza que não será o suficiente, pois são muitas partes legais.

Infelizmente, não encontrei o DVD para comprar no Brasil. Mas tem no Netflix, onde eu assisti, no iTunes e em vários sites de download. Recomendo a quem gosta de musicais e de comédias românticas.

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Memrise e meu estudo de idiomas

sexta-feira, 10 de maio de 2013


No último post, comentei que estou me dedicando mais ao estudo de idiomas. Antes, eu já estudava Inglês e Italiano de uma forma meio aleatória, mas senti necessidade de algo mais metódico, principalmente no Inglês. Consigo ler tranquilamente, ouço músicas no idioma o tempo todo e assisto filmes sem legenda, consigo levar uma conversa se for preciso, só não sei escrever. Ano passado, cheguei a criar o Tea at Glenbrooke com a finalidade de exercitar a escrita, mas achava tão difícil que acabava desistindo. Depois de pensar um pouco, cheguei à conclusão de que o que me faltava era gramática. Eu até admito falar errado - na comunicação oral, ser compreendido e seguir com a conversa é, muitas vezes, mais importante - mas escrever errado não dá. Então, inventei um método com três etapas, que me permite estudar três idiomas ao mesmo tempo (um em cada etapa, obviamente) e que tem funcionado relativamente bem no último mês.

As fases são:

1 - Contato com a língua: Foi assim com o Inglês e o Italiano, agora estou dando meus primeiros passos no Francês. As músicas são minha maior fonte, porque eu tenho essa necessidade de ouvir alguma coisa o tempo todo e minha memória funciona melhor com o que ouço do que o que vejo.

2 - Memorização: Estou nessa fase com o Italiano. A ideia veio depois de ler um post do Inglês na Ponta da Língua sobre gramática normativa e gramática de uso, e decidi aprender a gramática de uso primeiro (como fiz com o Inglês, embora de forma diferente). Estou usando o Memrise, sobre o qual falarei daqui a pouco, e um visual phrase book.

3 - Gramática: Minha fase do Inglês. Comprei o Gramática Inglesa para Leigos e tenho estudado com ele. Espero em breve começar a treinar a escrita.

Na minha experiência com idiomas - que não é tanta, mas, provavelmente, maior do que a média - eu acho que todo mundo pode aprender, desde que descubra como funciona melhor. Quando fiz aquele post das dicas para aprender um idioma sozinho, alguns disseram que preferem fazer curso. Se mesmo em cursos formais, os métodos podem variar bastante, para quem estuda sozinho as possibilidades são ainda maiores. Com certeza, o meu método não vai funcionar pra todo mundo, mas, se alguém quiser tentar, por favor, compartilhe o resultado depois.

Memrise

Apresentado a mim pela Annie, o Memrise é um site de cursos que leva em consideração a forma como o cérebro armazena as informações. A ideia é mostrar as associações e testá-las continuamente, forçando o cérebro a recuperar a informação armazenada, até que ele a considere importante a ponto de ir para a memória de longo prazo. Os recursos usados são os testes e mnemônicos, que os usuários podem criar ou apenas escolher dentre os já criados para cada item.

Não é todo tipo de curso que fica bom dessa forma - eu mesma tentei alguns de Engenharia de Software e não gostei - mas é ótimo para idiomas. Embora já existam vários cursos de vários idiomas, eu quis fazer de outro jeito e estou criando meus próprios cursos (sim, os usuários podem criar). Peguei o Italian Visual Phrase Book, que comprei há uns dois anos e nunca tinha conseguido utilizar, e estou passando tudo para o site, de acordo com os temas. Assim, o livro não será inútil e meu primeiro contato com cada palavra/frase é tendo que digitá-la. Além disso, o livro é em Inglês, então meu cérebro é forçado a trabalhar com dois idiomas estrangeiros ao mesmo tempo.

Até agora, os que já criei foram:

Também fiz/estou fazendo outros cursos, não necessariamente úteis, porque sou dessas curiosas que tem vontade de saber tudo.

  • Versículos bíblicos, porque eu sei vários, mas nunca guardo as referências.
  • Capitais, mapas, moedas e líderes mundiais, porque é útil, e eu sou péssima de geografia.
  • Mapa dos EUA e regiões da Itália pra não ter que googlar sempre que vejo alguma coisa nos livros.
  • Alguns visuais, porque minha memória é péssima para as coisas que vejo e quero melhorá-la.
Pode não ser útil, mas eu gosto de saber, por exemplo, que os 16 primeiros dígitos do pi são 3,141592653589793. Ou que Ralph Waldo Emersonque eu não faço a menor ideia de quem seja, disse que "don't go where the path lead. Go instead where there's no path and leave a trail".

Infelizmente, não há muitos cursos para falantes do Português, mas espero que o site se torne conhecido por aqui para que outros sejam criados. E também, entre os disponíveis, há vários de Inglês, pra resolver o problema de quem não sabe. Segundo a equipe do site, dá pra aprender um novo idioma por ano. Espero que seja verdade, porque ainda há vários que pretendo aprender. Os próximos serão Espanhol, Alemão, Chinês, LIBRAS, Latim, Grego, Japonês...
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Virando a folhinha - Maio/2013

sábado, 4 de maio de 2013



Embora vocês não soubessem disso, o Free to be me estava realmente na UTI. Nessas duas semanas em que fiquei sem escrever nada, pensei bastante e considerei a hipótese de acabar com o blog. Não consigo postar de vez em quando, só quando dá vontade, porque eu sempre quero falar de muita coisa e, do jeito que estava, ia acabar não falando nada. Mas concluí que não era o momento de tomar essa decisão, porque dois dos três motivos pra eu não postar devem ser eliminados em breve. O primeiro é o fato de abril ter sido um mês emocionalmente pesado e imprevisível. O segundo é o Desafio dos 50, que tem consumido todos os meus neurônios. Por último, o motivo que restará quando os outros se forem, é que eu resolvi ter mais disciplina para algumas coisas que eu fazia de forma aleatória, como ler a Bíblia e estudar idiomas. No final, cheguei a uma agenda bastante simpática, que estou tentando seguir, e que ainda inclui uma versão de reserva pra quando eu tomar vergonha na cara e entrar na academia.

Já posso fingir que sou organizada?
Clique para ampliar.

Abril no blog

Apenas três posts (sem contar o Virando a Folhinha), um recorde!

Lendo

Poucas leituras, pelos mesmos motivos já citados. Li Meu amor, meu bem, meu querido e Cruzando o Caminho do Sol, terminei Always the baker, never the bride. Vamos torcer pra eu ficar bem inspirada e conseguir escrever resenhas, porque eles merecem. Agora estou lendo If you could see me now, Dividindo Mel e Take flight.

Lidos, lendo e duas possíveis futuras leituras.

Assistindo

Quase nada. Com muito custo, consegui terminar a oitava temporada de Grey's. Enrolei mais de uma semana para pegar os dois últimos episódios, porque eu sabia que ia acontecer uma coisa e não queria que acontecesse. Agora, preciso de um período de descanso e estou assistindo apenas coisas aleatórias no Youtube, como Histórias da Ana, Porta dos fundos e Meu passado me condena. Semana passada, revi um filme muito fofo, que eu já tinha visto há anos, O fabuloso destino de Amélie Poulain, após decidir que meu próximo idioma será o francês - culpa da Annie e da Lilian.

Ouvindo

Passei boa parte do mês com dor de cabeça por trabalhar embaixo do ar-condicionado (felizmente, a tortura acabou). Juntando isso com toda a intensidade do mês em geral, tenho ouvido músicas mais suaves; nada de batidas fortes e nada de agudos. Bethany Dillon, Brooke Fraser, Laura Story, Ana LauraTiê, Clarice FalcãoCoeur de pirate e os acústicos de Casting Crowns, Capital Inicial e Lulu Santos andam bem frequentes nos meus fones.

Relembre

Maio de 2012 foi o mês dos livros legais. No blog tivemos três que, se você ainda não leu, não sabe o que está perdendo.
Fico por aqui e prometo [tentar] não deixar o blog abandonado por tanto tempo novamente :)
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Bem pensado #13 - Um pequeno imprevisto - Paralamas do sucesso

sábado, 20 de abril de 2013

Capa do álbum Nove Luas, da banda Paralamas do Sucesso


Eu quis querer o que o vento não leva
Pra que o vento só levasse o que eu não quero
Eu quis amar o que o tempo não muda
Pra que quem eu amo não mudasse nunca

Eu me apego a livros, a músicas, a bits. Fico triste quando alguém não gosta dos meus personagens favoritos, tenho ciúmes quando outra pessoa canta as músicas que eu gosto de cantar e fico chateada quando tenho que sair dos projetos de que gosto no trabalho. E se houver um incêndio na minha casa e destruir todos os meus livros? Compro outros. Se eu apagar, acidentalmente, minha música favorita? Sei de cabeça. Se meu computador for roubado? Está tudo na nuvem. Eu amo a nuvem.

Eu sou especialista em paixões platônicas. É muito mais confortável me apaixonar por alguém inacessível, porque não tenho que lidar com as escolhas dele. Não me importo se doer, com a minha dor eu sei lidar.

Eu quis prever o futuro, consertar o passado
Calculando os riscos bem devagar, ponderado
Perfeitamente equilibrado

Eu sou manipuladora e calculista. Não que eu seja má e saia manipulando as pessoas a meu bel-prazer. As pessoas costumam associar esses dois adjetivos apenas a coisas ruins, mas não é sempre assim. Eu não manipulo as pessoas, manipulo as situações, planejando-as para que dêem certo. Não contar para o estagiário que o cliente está querendo matá-lo para que ele continue trabalhando feliz e contente é uma forma de manipulação. E ser calculista, na maior parte do tempo, eu considero como uma qualidade até bem útil  - principalmente no meu trabalho, onde eu preciso fazer estimativas de tempo e prever comportamentos.

Eu não gosto de errar. Queria voltar no tempo, revisitar todos os meus arrependimentos e fazer tudo certo dessa vez. Desde que conheci o Dr Tom, meu sonho é me tornar sua paciente.

Quase todas as minhas atitudes podem ser justificadas por duas palavras: colérica melancólica. Sou col-mel até o último fio de cabelo e ainda me assusta ver que vivi tanto tempo sem saber disso, sem me conhecer de verdade. Eu tomo decisões rápidas, por isso, pareço impulsiva. Mas é tudo calculado, tudo ponderado; todos os prós e contras separados em post-its mentais.

Não que eu seja perfeitamente equilibrada. Apenas queria que o meu mundo fosse. Quando não é, quando ocorre alguma coisa errada, a culpa é minha. A estimativa do projeto estourou? O cliente não aprovou as tarefas? A amiga está com o coração partido? O preço do tomate está absurdo? As piadas sobre o preço absurdo do tomate não param de aparecer no Facebook? Joguem-me caquis, porque a culpa é minha. Sempre.

Até que um dia qualquer
Eu vi que alguma coisa mudara
Trocaram os nomes das ruas
E as pessoas tinham outras caras
No céu havia nove luas
E nunca mais encontrei minha casa
No céu havia nove luas
E nunca mais eu encontrei minha casa

O nome da minha rua foi trocado. Isso foi antes de eu me mudar para lá, mas deve ser minha culpa também. Ou não. Pequenos e grandes imprevistos acontecem. Pelo menos, acho que o nosso planeta continua tendo apenas uma lua.
It's not the end of the world
(This is the stuff - Francesca Battistelli)

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