Livros, amores e reencontros
sexta-feira, 17 de maio de 2013
Eu gosto de releituras. Não as faço com muita frequência, porque há muitos livros a serem lidos, mas, de vez em quando, a vontade de reencontrar velhos amigos é grande demais para que eu me esforce em fazer novos. Persuasão estava na frente da fila havia bastante tempo, desde que foi lançada a linda edição em capa dura da Zahar. Deixei-o separado e peguei-o várias vezes, mas havia uma certa apreensão que me impedia de continuar.
Sabe aquela sua melhor amiga do Ensino Médio, por quem você passa de vez em quando e até diz que vai marcar um almoço qualquer dia desses, mas acaba não marcando nada? Já se passou muito tempo sem que vocês conversassem; você mudou, ela deve ter mudado e são poucas as chances de que o encontro seja tão bom quanto suas lembranças. É assim a minha relação com algumas pessoas e com alguns livros. Embora existam aqueles cuja relação conosco nunca mudará, independente do tempo que passemos sem nos ver, também existem os que é melhor manter guardados em uma caixinha da memória. O problema é só saber onde cada um se encaixa.
Tìtulo original: Persuasion
Autora: Jane Austen
Mais: Histórico de leitura | Resenha (2010)
Último romance de Jane Austen, publicado poucos meses após sua morte, em 1817, Persuasão jamais foi superado por tendências de época, renovações estéticas ou modismos literários de qualquer tipo, mantendo-se um inabalável sucesso de público e crítica. Essa obra-prima ganha agora uma edição definitiva, com capa dura, mais de cem notas explicativas e uma cronologia da vida e obra da escritora.
[...]
O romance se passa na Inglaterra rural, no início do século XIX. Anne Elliot, filha de Sir Walter Elliot, um vaidoso e esnobe baronete, apaixona-se por Frederick Wentworth, um jovem inteligente e ambicioso, mas sem tradições ou conexões familiares importantes. Por esse motivo, é persuadida pela família a romper com ele. Oito anos depois, Anne pensa com mais autonomia e maturidade e o destino fará com que seu caminho e o de seu grande amor se cruzem novamente.
Felizmente, mesmo tendo se passado três anos desde o nosso primeiro encontro, Persuasão continua me encantando - talvez até mais do que antes. Anne Elliot não é uma personagem que faz as coisas acontecerem, mas tem uma intensidade de sentimentos que me fez torcer mais por ela a cada página. E o que dizer do capitão Wentworth, tendo sua ferida reaberta oito anos depois de Anne lhe partir o coração? É lindo ver como os atuais sentimentos dele por ela vão se revelando aos poucos e como ambos tentam lidar com isso sem deixar que ninguém mais perceba.
Por uma divertida ironia, o livro que eu ansiava reencontrar trata justamente do reencontro com um antigo amor. Esse é um tipo de história que mexe comigo mais do que eu gostaria de admitir. E, ao pensar nisso, percebi que havia lido dois outros livros com temática parecida nos últimos dois meses.
* Dois posts seguidos sobre Jane Austen e é possível que o próximo também tenha a ver com ela. Não foi de propósito, mas uma coincidência que muito me agradou.
** Ainda não terminei de ler o livro; Faltam 50 páginas de Persuasão e as duas novelas que o acompanham, Lady Susan e Jack & Alice. Pretendo depois fazer uma resenha separada para as novelas. Provavelmente, depois que eu ler Sanditon e Os Watsons.
* Dois posts seguidos sobre Jane Austen e é possível que o próximo também tenha a ver com ela. Não foi de propósito, mas uma coincidência que muito me agradou.
** Ainda não terminei de ler o livro; Faltam 50 páginas de Persuasão e as duas novelas que o acompanham, Lady Susan e Jack & Alice. Pretendo depois fazer uma resenha separada para as novelas. Provavelmente, depois que eu ler Sanditon e Os Watsons.
Título: O melhor de mim (Arqueiro, 2012. 272 páginas)
Título original: The best of me
Autor: Nicholas Sparks
Comprar: Cultura | Travessa | Saraiva | FNAC | Outros
Mais: Histórico de leitura
Na primavera de 1984, os estudantes Amanda Collier e Dawson Cole se apaixonaram perdidamente. Embora vivessem em mundos muito diferentes, o amor que sentiam um pelo outro parecia forte o bastante para desafiar todas as convenções de Oriental, a pequena cidade em que moravam.O Melhor de Mim foi uma boa tentativa de redenção de Nicholas Sparks com uma leitora que estava quase desistindo de ler todos os livros dele que já tem em casa. Os últimos, embora não fossem ruins, não corresponderam às expectativas geradas pela fama do autor e pela leitura de livros como A Última Música e Um Amor para Recordar, que me deixaram desidratada de tanto chorar. O Melhor de Mim não é excelente, mas, pelo menos, me deu exatamente o que eu esperava: personagens interessantes, uma pitada de sobrenatural e uma boa dose de drama.
Nascido em uma família de criminosos, o solitário Dawson acreditava que seu sentimento por Amanda lhe daria a força necessária para fugir do destino sombrio que parecia traçado para ele. Ela, uma garota bonita e de família tradicional, que sonhava entrar para uma universidade de renome, via no namorado um porto seguro para toda a sua paixão e seu espírito livre. Infelizmente, quando o verão do último ano de escola chegou ao fim, a realidade os separou de maneira cruel e implacável.
Vinte e cinco anos depois, eles estão de volta a Oriental para o velório de Tuck Hostetler, o homem que um dia abrigou Dawson, acobertou o namoro do casal e acabou se tornando o melhor amigo dos dois. Seguindo as instruções de cartas deixadas por Tuck, o casal redescobrirá sentimentos sufocados há décadas. Após tanto tempo afastados, Amanda e Dawson irão perceber que não tiveram a vida que esperavam e que nunca conseguiram esquecer o primeiro amor. Um único fim de semana juntos e talvez seus destinos mudem para sempre.
Num romance envolvente, Nicholas Sparks mostra toda a sua habilidade de contador de histórias e reafirma que o amor é a força mais poderosa do Universo - e que, quando duas pessoas se amam, nem a distância nem o tempo podem separá-las.
O relacionamento de Amanda e Dawson e a conclusão da história me lembraram um pouco de Querido John. Talvez seja ingenuidade da minha parte acreditar que duas pessoas possam se entender tão bem depois de 25 anos separadas, mas fiquei feliz por ver que os dois ainda se importavam um com o outro e que não havia mágoa. Também achei interessante o conflito, muito presente nos romances do autor, entre fazer o que se quer e fazer o que é certo. As decisões dos personagens nesse sentido tiveram impacto sobre a vida de muitas pessoas e sobre o final do livro.
Apesar de tudo, creio que a minha relação com Sparks nunca mais será a mesma. O Melhor de Mim, ainda que tenha sido uma boa leitura, não me empolgou tanto quanto era de se esperar. Como o problema não é com o livro, só posso concluir que seja comigo. Hoje, sou uma leitora diferente do que era há alguns anos e, embora livros como o de Jane Austen continuem tendo o mesmo impacto sobre mim, Nicholas Sparks é como aqueles amigos que vão ficando pelo caminho. Pretendo ler apenas Diário de uma Paixão (que muita gente diz ser o melhor) e À Primeira Vista (porque tem os personagens mais legais de todos). Ainda não sei se lerei Um Porto Seguro e O Casamento - que já tenho, mas agora já não me despertam tanto interesse.
Título: Meu amor, meu bem, meu querido (Novo Conceito, 2013. 240 páginas)
Título original: Honey, baby, sweetheart
Autora: Deb Caletti
Comprar: Cultura | Travessa | Saraiva | FNAC | Outros
Mais: Histórico de leitura
Livro cedido para resenha pela Editora Novo Conceito.
É verão no nordeste da cidade de Nine Mile Falls, e Ruby McQueen, de 16 anos, comumente conhecida como A Garota Calada, está saindo com o maravilhoso, rico e louco por emoções Travis Becker. No entanto, Ruby está num beco sem saída e percebe que se arrisca cada vez mais quando está com Travis. Em um esforço para manter Ruby ocupada, sua mãe, Ann, a arrasta para o clube de leitura semanal que ela comanda. Quando descobrem que uma das criadoras do clube é a protagonista de uma trágica história de amor que estão lendo, Ann e Ruby planejam um encontro dos amantes de longa data. Contudo, para Ruby essa missão acaba sendo muito mais do que apenas uma viagem.
Ao contrário dos dois primeiros, de Meu Amor, Meu Bem, Meu Querido eu não sabia exatamente o que esperar. Lançado recentemente pela Novo Conceito, só pedi porque gostei de Um Lugar para Ficar, da mesma autora, e porque achei a capa fofa.
Embora histórias adolescentes não me despertem mais tanta vontade de ler, com esses dois livros, Deb Caletti conseguiu chamar minha atenção. Sua narração suave contrasta com a complexidade de suas protagonistas e tornam seus livros bastante atrativos e fáceis e ler.
Assim como Clara, Ruby é atraída pela possibilidade de ser alguém diferente e se envolve com um rapaz potencialmente perigoso. Essa parte da história me lembrou um pouco de Tre metri sopra il cielo, cujo livro eu não quis ler por não ter gostado o filme. Mas, aqui, a autora é responsável o suficiente para não endeusar nenhum bandido e não florear suas más atitudes.
O relacionamento de Ruby e Travis é apenas a primeira parte da história. A segunda, mais interessante, trata da velhinha Lilian e seu amor da juventude; uma história dentro da história que lembrou um dos meus livros favoritos. Confesso que não sou uma dessas pessoas legais que têm paciência de ficar conversando com idosos, mas a amizade e a vitalidade daquele grupo me arrancou alguns sorrisos e lágrimas. Lógico que uma coisa dessas nunca ocorreria na vida real. Imagina! Sequestrar uma senhora inválida do asilo! Mas a improbabilidade da situação não conseguiu tirar a graça da história e, embora não seja um "5 estrelinhas", o livro com título mais brega que eu já vi conseguiu me divertir, me emocionar e se tornar uma leitura bastante agradável
* Em algum momento entre este post e o próximo mês, farei um sorteio do livro. Queria fazer junto com a resenha, mas não foi possível.
* Em algum momento entre este post e o próximo mês, farei um sorteio do livro. Queria fazer junto com a resenha, mas não foi possível.
Anne e Frederick, Amanda e Dawson, Lilian e Charles. Três relacionamentos interrompidos, três histórias distintas, três finais completamente diferentes. Talvez, pela minha relação extremamente pessoal com o tema, eu não seja muito confiável para falar do assunto. Mas, no final das contas, a relação de cada livro com cada leitor é pessoal, e esses três, cada um à sua maneira, mexeram comigo. Será que um amor pode mesmo sobreviver por tanto tempo em circunstâncias totalmente desfavoráveis?






































